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17 fevereiro 2011

Eu Prefiro as Flores.

Dia desses ouvi, ou li, sei lá, uma garota dizendo algo mais ou menos assim: "não me dê flores, pois elas murcham e logo morrem."

E então eu me senti ofendido. Porque, admito, eu sou do tipo de cara que daria flores para uma garota. E aí, vem alguém e me diz que o meu gesto não é bem quisto? Quer dizer... garotas não gostam de flores? Flores são um gesto sem significado? Sem valor? Uma forma efêmera de demonstrar afeto?

Espera aí... isso modifica toda a minha infância...


Então ouvi alguém dizer que, se você quer demonstrar amor, você deve dar para a garota algo especial, cheio de significados. E veio logo a menção ao ouro. Jóias, no geral.

Daí eu tive a epifania.

Muitas mulheres gostam de ouro por causa do que ele representa.
Vamos tomar o ouro como exemplo, por favor. Não estou generalizando. Mas vamos lá...

O ouro é encontrado em minas, rios, bancos... sei lá. Normalmente em uma forma rústica, bruta. Sem brilho. E então, é preciso trabalhá-lo. Valorizá-lo. Torná-lo belo, forte, resistente, valioso. Para que então, se torne algo durável, aprazível aos olhos, de imensurável valor.

E eis que é isso que as mulheres querem. Algo que represente um sentimento sólido. Algo resistente, duradouro. Que possa ser ostentado por longos anos, por tempos e tempos. Algo que valha por si só.
Pois assim, quando presenteadas com algo assim, elas se sentem valorizadas. Não nos limitemos a ouro. Qualquer objeto, ou mesmo gesto, que seja dispendioso, trabalhoso, grandioso, ganha o coração de uma mulher por si só. Pelo esforço que demanda. Por fazer a mulher se sentir valorizada.

Mas... e as flores? Que nascem no chão descuidado, desabrocham mesmo abandonadas... Vivem suas existências curtas, apenas pelo prazer de se abrir e alegrar, mesmo que por um instante, o ambiente onde estão.
O problema das flores, é que elas são simples. Elas, tão facilmente quanto nascem, morrem. Elas acabam em seguida. E isso às torna um ícone pouco desejável. Afinal, ninguém quer um amor finito.

Mas... elas são simples...
Nascem sem ligar para o que virá a acontecer. Mostram seu esplendor mesmo sem platéia. Findam sua existência sem temer serem esquecidas... E... não é assim que deveria ser o Amor?
Simples? Sem regras, sem demandas, sem ostentações... apenas... Amor...

Eu prefiro as flores porque elas refletem as coisas que eu mais gosto. Não a grandiosidade de uma declaração encenada, mas a simplicidade de um "eu te amo" que não se conseguiu conter...
Não a supremacia de um presente engastado em significações, mas a leveza de uma carícia ou de um sorriso como agradecimento.
Não o gestual de uma demonstração de carinho esplêndida, mas um beijo roubado em um banco na beira de um rio.

As flores representam as coisas simples nas quais o amor reside. E essas coisas acontecem, nos alegram, e terminam.
A magia do Amor, tal como das flores, é saber que a beleza efêmera se esvaí, apenas para dar lugar a outra maior...

Eu prefiro as flores... E prefiro aquelas que são cor de rosa...

03 fevereiro 2011

É engraçado...

É engraçado com o mundo dá voltas e você simplesmente não percebe...

Como as coisas mudam e você nem sente.

É engraçado como você deseja algo a vida toda e, de repente, está diante de você, sem aviso.

Como quando você deseja uma paixão. Algo que seja diferente. Que seja maior. Significativo. Único.
E você deseja tanto, que passa a se enganar. Passa a ver em qualquer broto, uma flor, em qualquer poça d'água, um lago.

Em qualquer sorriso, um amor...

E então, você se engana, se ilude a tal ponto, que acredita que realmente encontrou o que procurava.
E você mergulha no sentimento inexistente. Você quer aproveitar aquilo, mesmo sabendo que, lá no fundo, é só uma miragem.

E o que acontece quando se mergulha num riacho muito raso? Você bate de cara no chão.

E aí a confiança acaba. E acaba a coragem pra se jogar. E a vontade de procurar. E então, você se fecha. Com medo. Isolado. Sozinho.
Mas ainda assim... lá no fundo... desejando encontrar algo diferente. Significativo. Único.

E a parte engraçada é essa. Quando você decide que desistiu. E resolve afogar as suas esperanças. Resolve que acabou. Que nada vai acontecer, que nada daquilo existe pra você. E que a vida é só o que há aí.
É nessa hora que a vida vira o jogo. Que você, já sem esperanças, caminhando só por instinto, só pela sensação de arrastar os pés no chão, resolve fazer algo diferente.

Algo diferente, que muda sua vida pra sempre.
Como o cara que detestava caravanas. E pessoas no geral. Mas resolve, um dia, ir para um evento em uma delas.
Não por acreditar em algo diferente. Apenas pra sentir que não está parado. E esse cara, já sem esperanças, move os pézinhos, um após o outro, mesmo sem vontade ou fé, e entra naquela van. Com o sentimento de nojo estampado no rosto. Se culpando por se expor ao que, provavelmente, seria mais uma experiência ruim. Se preparando para mais um dia que o faria perceber o quão deslocado do mundo ele é.

Mas ele entra na van. E percebe que lá está, senhoras e senhores, aquela por quem ele esperou a vida toda.


Dizem que não existe amor à primeira vista. Bom... eu concordo. À primeira vista, o que há é interesse. Como o cara que entrou na van e, no meio de um bando de crianças aleatórias, vislumbra uma garota tímida, de fulgurantes cabelos roxos. Que no início lhe parecem azuís, confesso.
Ele entra na van sem esperar encontrar algo diferente. Mas encontra. E todo o seu planejamento, de ler um livro durante a viagem, cai por terra. E aí a mente já se perde completamente.

"Cabelos azuís? Isso é sério?"

E vem o choque. E aquela velha sensação que há tanto ele vinha tentando afogar. "Atração". Não do tipo instintivo. Não do tipo vulgar. Uma atração ingênua, boba. "Ela tem cabelos azuís? Que... legal!" E a vontade de falar com ela. E o sentimento do coração batendo de novo. Os sentimentos no geral.

É engraçado como o coração, mesmo depois de tanto tempo sem uso, ainda sabe o momento certo de perder o ritmo. Como quando ela responde. Ou quando encara-o com aquela expressão mista de timidez e interesse. E ele sente o impulso de estar perto dela. Mesmo sem entender o porquê. Mesmo sem justificar. Ele só quer estar com ela. Porque ela é... diferente?

O dia passa, eles se despedem. Ela não demonstra interesse. E aí a história acaba.
E ele pensa: "não sei nem o nome dela. Pena, era uma garota legal".

É engraçado como o tempo passa, e as pessoas que importam, voltam pro nosso caminho. Como ela voltou. Tudo bem que ele teve que correr atrás, mas ainda assim. Lá estava ela de novo. E de novo, sem lhe dar atenção.
Mas ele ainda sentia aquele interesse. E o interesse só aumentava. A cada frase dela, cada palavra, ele via mais e mais que ali estava o que ele procurava. E ele, contrariando sua natureza auto-protetora, continuou insistindo. Indo contra o que ele jurara fazer, expondo de novo seu coração repleto de cicatrizes, ele continuou tentando.

E o tempo passou. E ela percebeu. Percebeu o que ele já sabia. Percebeu o que ela já entendia. Percebeu o que estava escrito: Que ele era o que ela sempre quisera.
E ela relutou. Por ter suas próprias cicatrizes. Por também saber o que significava sofrer. Ela tinha medo. Receava se ferir novamente. E então hesitou. Hesitou e pensou. Pensou e decidiu. Decidiu e prometeu: ela iria esperar.

Só que o esperar dela deixava-o com medo. E ele temia ver a história se repetir. Temia estar, de novo, vendo uma flor onde não havia.

E mais tempo se passou. Até que o que eles sentiam já não se continha. Até que a verdade já lhes estivesse exposta. O medo foi sendo sobrepujado pela confiança. Confiança e certeza. A certeza de que um tinha no outro o que sempre quisera.

É engraçado que os dois ainda hesitavam, mesmo diante do maior sonho que já haviam sido capazes de sonhar. E eles hesitaram. Por medo. Mas por prazer. De prolongar a espera. De ver crescer o sentimento. De sentir o gostinho agri-doce da paixão não revelada. E eles esperaram. Esperaram para ter o que ansiavam por toda a vida. Aquilo pelo qual se guardaram. Aquilo no que acreditavam.

Até que chegou aquela noite. Onde os sentimentos irromperam a barreira do medo. Naquela noite, quando o céu escuro vestia-se de inúmeras nuvens cinzentas e a Lua espiava de sua morava enevoada, eles venceram o caminho entre um e outro. E se encontraram. Primeiro as mãos. Num toque suave, porém abrasador. Um gesto simples, mas que significava tudo. Confiança, certeza, compreensão.
Amor.
Então o beijo. Aguardado, guardado. Singelo, desajeitado, trôpego.

É engraçado que, nenhum dos dois tenha sentido, naquela noite, o que haviam acabado de conseguir. É engraçado que agora o tempo passe e eles ainda se sintam como naquela primeira noite. A saudade, a vontade de estar perto, a necessidade de segurar a mão. E a inocência de quem ama simplesmente por amar, sem pensar no que significa ou poderá significar.

Mas o engraçado mesmo, é que tudo isso só aconteceu, porque ambos fizeram coisas das quais tinham plena certeza que se arrependeriam. Ela, pintou o cabelo. Ele, entrou naquela van.

É engraçado o que o destino, ou Deus, ou o Batman, ou seja lá no que você acredita, reserva para nós. Ou como não há nada reservado, e as coisas simplesmente acontecem.
É engraçado que eles tenham se encontrado. E encontrado um no outro, o que procuravam.

É engraçado que... já não precisem mais procurar. Que eles estão juntos. E agora é só viver.

É engraçado que... o cara que jurou parar de escrever sobre isso, esteja fazendo-o. Confessando o que sente.

É engraçado que eu não saiba como terminar esse post... Não sei como fechar essa história.
Mas pensando bem, ela mal começou. Como então terminá-la? Deixemos em aberto.

É engraçado você não conseguir vislumbrar um final pra melhor história que já viveu.
Por não querer que ela acabe? Engraçado...